É comum perceber que a visão está ficando embaçada, com dificuldade para ler, dirigir ou reconhecer rostos, mesmo usando óculos. Diante desses sinais, muitos pacientes se perguntam se a cirurgia de catarata é realmente necessária e como esse procedimento funciona.
O receio é compreensível, especialmente quando envolve os olhos. Por isso, entender o processo de forma clara e responsável ajuda a tomar decisões mais seguras.
Neste artigo, explicamos como funciona a cirurgia de catarata, quais são os riscos possíveis e como é a recuperação, sempre reforçando que cada caso deve ser avaliado individualmente por um oftalmologista.
O que é catarata?
A catarata ocorre quando o cristalino, que é a lente natural do olho, perde sua transparência ao longo do tempo, dificultando a passagem da luz até a retina e causando visão borrada ou turva, muitas vezes descrita como a sensação de enxergar através de uma névoa constante.
Trata-se da principal causa de cegueira evitável no mundo e tem na cirurgia o único tratamento realmente eficaz.
No Brasil, apesar de ser um dos procedimentos mais realizados, estudos recentes mostram que o acesso ao tratamento ainda é desigual, com os planos de saúde realizando cerca de 73% mais cirurgias de catarata do que o SUS, quando considerada a população atendida.
Na prática clínica, é comum observar sintomas como:
- Visão embaçada ou com tonalidade amarelada
- Aumento da sensibilidade à luz
- Dificuldade para enxergar à noite ou em ambientes com pouca iluminação
- Trocas frequentes de óculos sem melhora visual significativa
O envelhecimento natural é a causa mais comum da catarata. No entanto, a condição também pode estar associada a diabetes, uso prolongado de corticoides, traumas oculares e outras condições de saúde, o que reforça a importância de uma avaliação oftalmológica individualizada.

Quando a cirurgia de catarata é indicada?
A cirurgia de catarata é indicada quando a opacificação do cristalino passa a interferir na qualidade de vida, dificultando atividades do dia a dia, como leitura, trabalho ou locomoção.
Não existe um momento único que sirva para todos. Em consultas oftalmológicas, a indicação considera:
- O grau de comprometimento visual
- O impacto na rotina do paciente
- A presença de outras doenças oculares
Por isso, a decisão deve ser sempre personalizada.
Tipos de cirurgia de catarata
Atualmente, existem diferentes técnicas cirúrgicas para o tratamento da catarata. A escolha depende das características do olho e da avaliação médica.
Cirurgia de catarata por facoemulsificação
É a técnica mais utilizada. Utiliza ultrassom para fragmentar o cristalino opaco, que é removido por aspiração. Em seguida, uma lente intraocular artificial é implantada.
Cirurgia de catarata com laser
Em alguns casos, o laser pode ser utilizado para realizar etapas iniciais da cirurgia, como incisões e fragmentação do cristalino. Após essa fase, o procedimento segue de forma semelhante à facoemulsificação tradicional.
Extração extracapsular
Indicada em situações específicas, quando outras técnicas não são recomendadas. Exige uma incisão maior e pode demandar pontos, com recuperação mais prolongada.
Como funciona a cirurgia de catarata?
A cirurgia de catarata é realizada, na maioria das vezes, em regime ambulatorial, sem necessidade de internação.

De forma geral, o procedimento envolve:
- Uso de colírios anestésicos para conforto do paciente
- Dilatação da pupila
- Remoção do cristalino opaco
- Implante de uma lente intraocular transparente
Durante a cirurgia, o paciente permanece acordado, mas costuma relatar apenas leve sensação de pressão, sem dor.
Quais são os riscos da cirurgia de catarata?
Apesar de ser um procedimento amplamente realizado, a cirurgia de catarata não é isenta de riscos.
Entre as possíveis complicações, estão:
- Infecção ocular
- Inflamação
- Alterações da pressão intraocular
- Edema da córnea ou da retina
Essas intercorrências são incomuns e, quando identificadas precocemente, geralmente podem ser tratadas. A avaliação pré-operatória cuidadosa e o acompanhamento no pós-operatório são fundamentais para reduzir riscos.





