Quando se fala em catarata, a maioria das pessoas associa a condição ao envelhecimento. De fato, a catarata é mais comum em adultos e idosos, mas ela também pode afetar bebês e crianças, desde o nascimento ou nos primeiros meses de vida. Nesses casos, recebe o nome de catarata congênita.
Embora menos conhecida, a catarata congênita é uma condição séria, pois pode comprometer o desenvolvimento da visão ainda na infância. Por isso, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem toda a diferença para evitar prejuízos visuais permanentes.
O que é catarata congênita?
A catarata congênita é caracterizada pela opacificação parcial ou total do cristalino, a lente natural do olho, presente desde o nascimento ou que se desenvolve nos primeiros anos de vida.
O cristalino saudável é transparente e permite que a luz chegue corretamente à retina. Quando ele se torna opaco, a imagem não se forma de maneira adequada, o que pode causar desde redução da visão até perda visual significativa no olho afetado.
Um dos sinais mais característicos da catarata congênita é a leucocoria, conhecida popularmente como “pupila branca”, quando o centro do olho não apresenta o reflexo escuro habitual.
Catarata congênita é diferente da catarata do adulto?
Sim. Embora o mecanismo básico seja o mesmo, a opacificação do cristalino, a catarata congênita tem uma particularidade importante: ela ocorre em uma fase crítica do desenvolvimento visual.
Nos primeiros anos de vida, o cérebro está aprendendo a enxergar. Se a imagem que chega ao cérebro é inadequada, pode ocorrer ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, que pode se tornar permanente se não for tratada a tempo.

Principais sinais e sintomas da catarata congênita
Os sinais podem variar de acordo com o grau de opacificação e se um ou ambos os olhos estão afetados. Entre os mais comuns, destacam-se:
- Pupila esbranquiçada ou acinzentada
- Dificuldade ou ausência de fixação visual
- Falta de contato visual com pais ou objetos
- Estrabismo (olhos desalinhados)
- Nistagmo (movimentos involuntários dos olhos)
- Atraso no desenvolvimento visual
Em muitos casos, os pais não percebem sintomas evidentes, o que reforça a importância dos exames de rotina logo após o nascimento.
O que causa a catarata congênita?
A catarata congênita pode ter diversas origens, nem sempre sendo possível identificar uma causa única. Entre os principais fatores associados estão:
Infecções durante a gestação
Algumas infecções intrauterinas podem afetar a formação do cristalino, como:
- Rubéola
- Toxoplasmose
- Citomegalovírus
- Sífilis
Fatores genéticos e hereditários
Alterações genéticas e síndromes hereditárias podem estar associadas ao desenvolvimento da catarata congênita.
Distúrbios metabólicos
Problemas no metabolismo do bebê também podem interferir na transparência do cristalino.
Uso de medicamentos ou exposição a radiações
Em situações específicas, a exposição a certos medicamentos ou radiações durante a gestação pode estar relacionada.
Causa idiopática
Em muitos casos, não é possível identificar a causa, mesmo após investigação detalhada.
Como é feito o diagnóstico da catarata congênita?
O diagnóstico costuma ser feito logo nos primeiros dias de vida, por meio de um exame simples e fundamental: o Teste do Reflexo Vermelho (TRV), popularmente conhecido como teste do olhinho.
Teste do Reflexo Vermelho (TRV)
Esse exame avalia se a luz refletida no fundo do olho retorna de forma homogênea. Alterações no reflexo podem indicar catarata congênita ou outras doenças oculares importantes.
- Deve ser realizado nas primeiras 72 horas de vida
- Também pode ser feito na primeira consulta pediátrica
- Resultados alterados exigem encaminhamento imediato ao oftalmologista
Avaliação oftalmológica completa
Quando há suspeita de catarata congênita, o bebê deve passar por uma avaliação oftalmológica detalhada, que pode incluir:
- Exame do segmento anterior do olho
- Avaliação do eixo visual
- Exames de fundo de olho
- Investigação de outras doenças oculares associadas
Além disso, podem ser solicitados exames complementares, como:
- Sorologias para infecções congênitas
- Avaliação metabólica
- Análise do histórico familiar
O acompanhamento oftalmológico deve continuar ao longo da infância, pois outras alterações oculares podem surgir com o crescimento.
Quais são os tratamentos para catarata congênita?
O tratamento da catarata congênita depende do grau de opacificação do cristalino e do impacto na visão.
Catarata congênita total ou significativa
Quando a catarata compromete de forma importante a visão, a cirurgia é indicada precocemente, para evitar prejuízos permanentes no desenvolvimento visual.
A cirurgia consiste na remoção do cristalino opaco. Em alguns casos, pode ser indicado o implante de uma lente intraocular, especialmente em crianças mais velhas.
Para entender melhor como funciona esse procedimento, quais são os riscos envolvidos e como ocorre a recuperação, é importante conhecer os detalhes da cirurgia de catarata, sempre com orientação médica especializada.
Implante de lente intraocular em crianças
- Geralmente considerado em crianças a partir de 4 anos, dependendo do caso
- Em bebês menores, a correção visual costuma ser feita com óculos ou lentes de contato
- A decisão é sempre individualizada
Catarata congênita parcial
Quando a opacificação é pequena e não compromete significativamente a visão, o tratamento pode ser conservador, incluindo:
- Correção óptica com óculos
- Uso de colírios para dilatação pupilar (midríase), em situações específicas
- Acompanhamento rigoroso da evolução
O que acontece se a catarata congênita não for tratada?
A ausência de tratamento adequado pode levar à ambliopia severa, condição em que o cérebro passa a ignorar a imagem do olho afetado. Quando isso ocorre precocemente e não é tratado, a perda visual pode se tornar irreversível.
Por isso, o tempo é um fator crítico no manejo da catarata congênita.
É possível prevenir a catarata congênita?
Nem todos os casos podem ser prevenidos, mas algumas medidas reduzem significativamente o risco:
- Vacinação adequada contra rubéola
- Pré-natal com acompanhamento médico regular
- Realização do teste do olhinho
- Encaminhamento precoce ao oftalmologista quando indicado
A importância do acompanhamento especializado
O diagnóstico e o tratamento da catarata congênita exigem experiência, estrutura adequada e acompanhamento contínuo. Na prática clínica, clínicas especializadas em oftalmologia, como o CEOC – Centro Especializado em Oftalmologia, acompanham crianças desde o nascimento, oferecendo avaliação individualizada e suporte ao desenvolvimento visual saudável.
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Perguntas frequentes sobre catarata congênita (FAQ)
Como saber se o bebê tem catarata?
A principal forma de identificar a catarata em bebês é por meio do Teste do Reflexo Vermelho (teste do olhinho), realizado logo após o nascimento. Alterações como pupila esbranquiçada, dificuldade de fixar o olhar ou falta de contato visual também podem ser sinais e devem ser avaliados por um oftalmologista.
Catarata congênita em bebê tem cura?
A catarata congênita não é revertida sozinha, mas pode ser tratada quando diagnosticada precocemente. O tratamento adequado, que pode incluir cirurgia e correção visual, tem como objetivo permitir o desenvolvimento saudável da visão e evitar perdas visuais permanentes.
O que é catarata pediátrica?
Catarata pediátrica é o termo usado para descrever a catarata que ocorre na infância, podendo estar presente desde o nascimento (catarata congênita) ou surgir nos primeiros anos de vida. Ela compromete a transparência do cristalino e pode afetar o desenvolvimento visual da criança se não for acompanhada.
Por que a criança nasce com catarata?
A catarata congênita pode estar relacionada a fatores genéticos, infecções durante a gestação (como rubéola ou toxoplasmose), alterações metabólicas ou, em alguns casos, não ter causa identificada. Cada situação deve ser investigada individualmente pelo médico.
Todo bebê com catarata precisa de cirurgia?
Não. A indicação depende do grau de opacificação do cristalino e do impacto na visão. Cataratas leves podem apenas ser acompanhadas, enquanto casos que comprometem a formação da visão exigem tratamento cirúrgico precoce.
O teste do olhinho detecta catarata congênita?
Sim. O teste do reflexo vermelho é fundamental para detectar catarata congênita e outras doenças oculares graves. Por isso, ele deve ser realizado ainda na maternidade e repetido nas consultas pediátricas.
Conclusão
A catarata congênita é uma condição ocular que pode comprometer seriamente o desenvolvimento visual da criança se não for identificada e tratada precocemente. Apesar de menos conhecida que a catarata do adulto, seu impacto pode ser ainda mais significativo quando negligenciado.
O acompanhamento oftalmológico desde os primeiros dias de vida, aliado ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado, é essencial para garantir que a criança tenha a melhor chance de desenvolver uma visão saudável. Buscar orientação especializada é o passo mais seguro para cuidar da saúde ocular infantil de forma responsável e eficaz.





